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AMA E FAZE O QUE QUERES

  • 9 de mar. de 2016
  • 4 min de leitura

O amor é a essência de Deus e a razão de existir do ser humano. Nascidos para amar, toda vez que fugimos deste principio nos escravizamos, pois o amor liberta!

Esta frase de Santo Agostinho “Ama e faze o que queres”, por vezes foi e é deturpada, por não compreenderem seu sentido. A interpretação é bem simples, basta ler na ordem correta: AMA e faze o que queres e não o contrario!

Em outras palavras, aquele que ama verdadeiramente cumpre toda a lei (vontade de Deus) por dentro. Nem se quer pensa em violá-la.

Considerando que este texto está direcionado a juventude, me parece muito oportuno uma palavra sobre a cura interior ou cura do coração.

1º) Sedentos de amor

É possível dizer que nós nascemos com um vazio interior que é preenchido no amor, na medida em que somos amados vamos sendo curados desse vazio, dessa angustia, dessa carência. É valido ressaltar aqui que o ser amado vai além de gestos de carinho, é ter no amante um porto seguro, como uma criança vê nos pais este porto seguro, assim também é a qualidade do amor que no mais profundo do nosso ser nós buscamos.

Já não é novidade para ninguém que muitos jovens, inconscientemente, entram nas drogas, na prostituição e demais desvios morais, tentando na verdade preencher esta lacuna interior.

Aqui se faz muito importante a consciência de que não podemos nos fazer de coitadinhos, antes devemos ser ousados no amor, crer que pela nossa decisão de amar, podemos mudar nossa história e a daqueles que conosco vivem.

Temos visto muitos casos de filhos, cuja família vivia em pé de guerra, e onde estes eram os mais prejudicados, contudo ao se abrirem a experiência de amor, neste caso em primeiro lugar ao amor de Deus que é capaz de suprir todas as nossas carências e realmente dar sentido ao nosso ser, são transformados e consequentemente transformam o ambiente em que vivem.

Famílias inteiras são restauradas quando um de seus membros se abre verdadeiramente ao amor de Deus.

Em Deus não somente somos amados e compreendidos no mais profundo do nosso ser, como também aprendemos a amar e compreender as pessoas em suas dificuldades, o amor de Deus nos faz misericordiosos, ao passo que todas as vezes que nos fiamos no amor dos homens (refiro-me aqui ao ser humano independente de gênero), tornamo-nos egoístas e supérfluos. Em Jesus nós aprendemos que o amor de Deus é um amor de doação (Jo 3,16) e desinteressado.

Enquanto Deus não ocupar o centro de nossas vidas, nunca saberemos concretamente o que a experiência de um verdadeiro amor.

Já dizia Santo Agostinho: “Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio. A busca de Deus é a busca da felicidade. O encontro com Deus é a própria felicidade”.

2º) Habilitados para amar

Na sua primeira carta São João nos ensina: Amemo-nos uns aos outros, pois vem de Deus (I Jo 4,7). Amar é uma dadiva, é uma graça que rebemos de Deus, não amamos porque somos bons, mas porque “Deus nos amou primeiro” (I Jo4,10.19).

Algumas vezes costumo levantar esta questão em minhas pregações: Perdoar é divino?

Não estamos falando aqui de simples ressentimentos ou magoas, falamos de casos mais sérios, tipo: “Adultério, Assassinato de algum membro da família etc”.

As respostas variam alguns, às vezes até mesmo por terem passado situações adversas e ainda se encontrarem feridos e magoados dizem: Sim! Ao passo que outros, talvez por boa vontade, ou imbuídos de uma boa dose de humanismo dizem: Não!

Para aqueles que se negam a colaborar no processo de perdão a resposta é não (o perdão não é divino, no sentido de que Deus venha e perdoe em nosso lugar), precisamos fazer a nossa parte; para aqueles que se baseiam no seu humanismo (por humanismo faço entender aqui, boa vontade, técnicas psicológica e até mesmo soberba), pensando conseguir por si só a resposta é não (Sem o amor de Deus para suplantar nossas fraquezas, perdoar se torna impossível)! O fato é que perdoar em primeira instancia é divino, pois em determinadas situações sem o amor de Deus para nos socorrer o perdão é impensável, insustentável. No entanto, esse amor derramado em nossos corações (Rm 5,5), torna-se um manancial à medida que colaboramos para que ele venha fluir em nosso interior tendo como foco principal a cura de nosso coração para o relacionamento com os irmãos. Um quer dizer: Deus não vem perdoar no meu lugar; o outro quer dizer: Só por Deus!

Em ambos os fatos o perdão sem Deus e sem Nós é impensável!

O Senhor pode exigir de nós esse amor (Mt 6,15), porque ele nos deu em abundancia (Rm 5,20; 5,5; Jo 7,38).

Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei (Jo 15,12). Este é peso, esta é a medida!

3º) A luz que cura

Neste audacioso processo de cura interior o que precisamos fazer, é aprender a vivenciar os fatos que nos feriram a luz de Cristo (Jo 8,12). Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre (Heb 13,8). Jesus é Senhor do tempo! Ele pode voltar conosco em nossos momentos de dor e angustia que muitas vezes carregamos sozinhos e nos sentimos envergonhados até mesmo de partilhar.

A presença de Jesus é curadora, com isto não quero dizer que as imagens vão sumir, e sim que a carga negativa dessas imagens já não terão efeitos sobre nós, pois aquele que é Senhor da vida, venceu em nós as situações de morte.

Precisamos criar o habito de reler nossas vidas a luz de Cristo! A pratica da cura interior não é algo que usamos uma vez na vida e outra na morte; ao contrário precisamos estar aptos a praticá-la no dia a dia, por que é comum em nossos relacionamentos nos magoarmos e também magoarmos as pessoas.

Não nos esqueçamos, o nosso Deus é o “Deus que cura” (Ex 15,26).


 
 
 

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